João Braga percorre mais de 100 anos do universo fashion em seu novo livro. Acompanhe, aqui, um resumo dessa viagem.
5 de junho de 2011, 8H28
Um dos lançamentos mais aguardados do ano para quem gosta de moda acaba de sair do forno: o livro História da Moda no Brasil – Das Influências às Autorreferências (Pyxis Editorial, 642 págs., 120 reais), do professor de história da moda João Braga e do escritor Luís André do Prado, revisita a história fashion nacional focando seus bastidores. Na palavra dos autores, o que esteve por trás do surgimento do estilo genuinamente brasileiro.
Belle époque (1889-1918)
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| ACERVO MUSEU DO TRAJE E DO TÊXTIL |
A moda tinha uma influência francesa. Praticamente era só o rosto da mulher que aparecia. O resto ficava escondido por golas altas e luvas. Havia muito rigor, mas também se percebiam excessos: chapéus grandes e cintura marcada. O Rio era o lugar onde a moda acontecia, principalmente na rua do Ouvidor. Lá se falava mais francês do que português. Quase nada era criado aqui. Toda a roupa da elite vinha de fora.
Anos loucos (1919-1930)
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| ACERVO MUSEU PAULISTA |
O nome vem da alegria de viver o período pós-Primeira Guerra Mundial. O conflito abalou de maneira muito profunda os valores, os costumes e as convicções. Aconteceu um processo de masculinização na moda. A roupa ficou mais funcional, pois a mulher já trabalhava fora. No Brasil, a Casa Alemã (importadora de tecidos) se tornou uma referência importante e começou a organizar desfiles de moda francesa.
Era do rádio (1931-1945)
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| ACERVO FAMÍLIA LIBMAN |
A moda francesa criou um sistema que permitia que ela se replicasse, mesmo sendo vendida como peça única. Havia as telas (moldes de pano) que as madames (como madame Boriska e madame Rosita) compravam em Paris. Depois, confeccionavam peças do modelo original com detalhes e tecidos diferentes. Isso começa depois da Segunda Guerra, com a refeminilização da moda e a influência do New Look, de Dior.
Anos dourados (1946-1960)
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| ACERVO GILDA PROCHOWNIK |
Nesse período, há a concretização do New Look, ainda com a moda francesa sendo importada. O processo de cópia por meio de moldes cresce muito e acaba havendo a democratização. Nesse momento, surge lá fora o prêt-à-porter. No Brasil, começam os concursos de beleza, e a moda acontece como uma extensão deles. Os costureiros ainda se inspiram no exterior, mas tentam criar modelos assinados.
Tropicália & Glamour (1961-1975)
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| ACERVO CYRO DEL NERO |
Essa época é o apogeu de novos nomes, como Clodovil e Dener, mas a grande sacada é a Fenit (Feira Nacional da Indústria Têxtil) e a introdução dos tecidos sintéticos no Brasil, produzidos pela Rhodia. As indústrias têxteis passaram a fazer divulgação para despertar o consumo. Os desfiles da Fenit eram assinados por artistas e costureiros e as peças não eram vendidas – o que valia era o show.
Anos azuis (1976-1990)
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| ACERVO JOSÉ AUGUSTO BICALHO |
O nome dessa época vem do jeans, já que no Brasil os anos não eram tão azuis assim. Há o predomínio da moda jovem e da artesanal, com tingimento caseiro e bordados (principalmente no Rio), para depois virar uma moda produzida em confecção. O jeans acabou se consolidando, com seu apogeu na década de 1980. Estilistas começaram a surgir e se consolidar no grupo Moda Rio e na Cooperativa de Moda, em São Paulo.
Supermercado de estilos (1991-2010)
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| ACERVO LINO VILLAVENTURA |
É o período das semanas de moda. Nele, surge, no Rio de Janeiro, a Semana de Estilo Leslie (1992), que depois se torna Semana Barra Shopping de Estilo e, posteriormente, Fashion Rio. Ao mesmo tempo, em São Paulo, surge o Phytoervas Fashion (1994), que depois se tornaria o Morumbi Fashion e, em seguida, o São Paulo Fashion Week. A roupa de praia vira um produto de exportação e estilistas começam a se projetar no exterior.
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